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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nunca mais reclamo

De volta à meados dos anos 70...

Um homem esta viajando e pára em um posto de gasolina em meio a um torrencial aguaceiro. Ele confortavelmente sentado dentro de seu carro seco, enquanto um homem, que assobiava alegremente enquanto trabalhava, encheu seu tanque debaixo daquela chuva terrível.

Quando o cliente estava partindo, como que se desculpando, disse,
- Sinto muito que você tenha que estar aí fora com este tempo.

O atendente respondeu,
- Não me aborrece nem um pouco. Quando eu estava lutando no Vietnã eu prometi a mim mesmo que se um dia eu conseguisse sair vivo daquele lugar, eu seria tão grato que nunca mais reclamaria sobre qualquer coisa novamente. E assim tem sido e nada me aborrece.

Assumir a responsabilidade por nossas atitudes é parte da construção de uma vida íntegra e feliz.

© Tradução de SergioBarros

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Descubra suas 'gestalts abertas'

Você não sabe o que é gestalts? Vai ouvir falar...

Não tenho tempo para nada! Como vou arranjar tempo para fazer isto? Estou esgotado! Estou estressado! Essas queixas e outras semelhantes parecem familiares a você? São comuns a muitas pessoas hoje em dia.

Utilizar produtivamente nosso tempo é um problema para a maioria de nós: trabalho, família, estudo, vida social, esporte, lazer, cidadania e outras áreas de atividades requisitam continuamente nosso tempo. Às vezes nos parece que as 24 horas do dia não são suficientes para fazermos tudo o que necessitamos. E isto nos esgota.

Por vezes, iniciamos várias atividades e, por alguma razão, não as conseguimos concluir. Nos sentimos amarrados, sem produtividade. Estamos aparentemente fazendo muitas coisas, mas o resultado é frustrante... E nos sentimos esgotados, sem energia.

A psicologia da Gestalt pode nos ajudar, de forma simples e intuitiva, a compreender porque isto acontece e como podemos ser mais produtivos sem nos cansarmos tanto.

Gestalt (pronuncia-se guestalt) é uma palavra de origem alemã que pode ser traduzida aproximadamente como 'forma total' ou 'forma global'. A psicologia da Gestalt enfoca as leis mentais - os princípios que determinam a maneira como percebemos as coisas.

Podemos ter uma compreensão intuitiva de uma das leis básicas da Gestalt por meio das figuras abaixo.


Atividades não completadas no cotidiano consomem energia e podem provocar estresse.

A maioria das pessoas quando solicitadas, de surpresa, a dizerem rapidamente que figuras são estas, dirão que são um triângulo e um círculo. Mas estarão erradas. Triângulo e círculo são figuras fechadas e estas são abertas. Segundo a psicologia da Gestalt, este engano ocorre por duas razões básicas:

- Tendemos a perceber as coisas de maneira global num primeiro momento;

- Tendemos, inconscientemente, a fechar gestalts abertas, isto é, a concluir ou fechar figuras ou objetos que achamos que estão incompletos.

Esta segunda razão é a base de uma maneira mais produtiva de utilizarmos nosso tempo.

Comecemos com um exemplo: vamos imaginar que, querendo ficar em forma, perder a barriga, nos inscrevemos numa academia de ginástica. Começamos com entusiasmo e depois, por falta de vontade ou 'falta de tempo', vamos espaçando as vezes que a freqüentamos, até pararmos. Contudo, não abandonamos o nosso sonho de ficar em forma, 'justificando' para nós mesmos e para os outros que, quando tivermos tempo, voltaremos a freqüentar a academia e ficaremos em ótima forma! Este sonho ou projeto de ficar em forma, enquanto não concluído ou claramente abandonado, é uma gestalt aberta que continua nos puxando energia.

Se além desta gestalt aberta, tivermos muitas outras, como por exemplo, o curso de inglês que queremos fazer, mas protelamos, a viagem com que sonhamos continuamente e nunca nos mobilizamos de fato para realizá-la, a construção de uma casa de campo, a reorganização dos arquivos do escritório ou a arrumação do 'quarto de despejo' (“qualquer dia destes eu dou um jeito nisto”), nosso nível de energia pessoal disponível diminui. Isto porque cada gestalt aberta nos requisita continuamente energia para fechá-la.

Quanto mais gestalts abertas tivermos, menos energia psíquica teremos disponível, causando aquela sensação de cansaço, stress, dificuldade de tomar decisões.

© Leonel Vieira
psicólogo clínico e organizacional.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Felicidade Realista

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

© Mário Quintana

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Vôo do Beija-Flor

O sol ainda não havia surgido no horizonte, quando uma mulher bateu à porta do casebre. O Mestre meditava, enquanto Nashi, o discípulo, despertava de seu sono.
- Entre, disse o Mestre sem abrir os olhos.

A mulher entrou, observando o interior rústico do casebre. Sentou-se ao lado de Mahatma e disse:
- Senhor, preciso de seu socorro. Meu marido me abandonou, trocando-me por outra mulher. Eu o amo muito e não quero vê-lo com outra.

O que devo fazer, Mestre?

Sentindo todo o sofrimento daquela mulher, o sábio abriu os olhos e respondeu:
- Mate-o. Se ele não viver contigo, não viverá com outra.

Nashi, o discípulo, por pouco não caiu de sua cama. Jamais imaginou que seu Mestre pudesse orientar alguém para o mal, principalmente numa circunstância de fragilidade, como se encontrava aquela mulher.

Sentindo-se aliviada com o conselho de Mahatma, a moça concordou que esta seria a melhor saída para não ver seu grande amor com outra mulher.

O Mestre disse:
- Vá à mata, na cachoeira da grande cascata. Lá você vai encontrar uma planta pequena com rosas amarelas. Colha algumas folhas, ferva chá e dê ao seu marido. Não lhe restará mais do que cinco minutos de vida.

A mulher foi-se. Seguiu rumo à cachoeira. Estava decidida a encontrar um meio de acabar com a vida do homem que tanto amava. Ao chegar próximo à cascata, a mulher viu uma criança de 10 anos, sentada próxima a algumas flores, admirando o bailado de um beija flor. A criança estava tão fascinada com o pássaro que não notou que a moça a observava, admirada. Assim ficaram até que o beija flor foi-se embora.

Então a moça aproximou-se:
- Vejo que você gostou muito do beija-flor!
- Sim! Estou apaixonada por sua beleza. Pena que ele foi embora.
- Por que você não o pegou e o levou consigo? Estava tão próximo de ti!
- Não dona! Não posso tirar a liberdade de uma criatura que nasceu para ser livre, apenas para satisfazer os meus desejos. Fui feliz enquanto ele bailou para mim e serei feliz sempre que puder lembrar da beleza de suas cores e da graça de seu vôo. Colocá-lo numa prisão seria condená-lo à morte. Há muita coisa bonita nesse mundo, para que eu possa ver, sem a necessidade de sacrificar tão belo pássaro.

A moça refletiu no que acabara de ouvir. Não colheu as folhas e seguiu para sua casa.

Naquele instante, não muito longe dali, num casebre rústico, um velho de olhos fechados, sentindo o silêncio profundo de seu discípulo, disse:
- O amor verdadeiro é composto de amizade e sinceridade. O falso amor é feito de amizade, sinceridade e egoísmo. Feliz é o homem que sabe reconhecer na fraqueza do próximo o limite para o seu egoísmo. E mais feliz será este homem se souber sentir no egoísmo dos outros, a luz que ilumina a sua evolução.

Nashi, o discípulo não compreendeu.

© Jornalista Adélio Rosa