Frase do dia
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Era uma vez...

Era uma vez gatinha branca.

Um dia ela conheceu um gatinho preto. Miau, miau... Aconteceu. Os dois se apaixonaram. Porém (sempre existe um porém até em estórias infantis), os gatinhos viviam distantes. Preciso explicar melhor: eles viviam distantes apenas geograficamente porque estavam sempre conectados. A gatinha branca às vezes fica pensativa. Repare no olhar dela. Parece triste mas não está não. Apenas sonha... Vive num lugar bonito cercada de amiguinhos e de flores.

O gatinho preto, que não é mostrado nesta página, mas faz parte desta estória, mora em outro sítio. Carinhoso e brincalhão, o gatinho preto vive cercado de muito verde, de carinho e conforto. A gatinha branca e o gatinho preto descobriram que, para continuarem a ser muito amigos, deverão continuar separados fisicamente. Apenas fisicamente. Inteligentes e sensíveis como são, eles adotaram um comportamento ético. Um acordo tácito e repetem para si mesmos uma verdade:

"Para estar próximos, não é necessário estar junto."

Esta estória não é recomendada para criança muito pequena. É mais apropriada para adultos, porque adultos não esquecem que um dia já brincaram de faz-de-conta. Se você gostou da estória de amor entre esses dois gatinhos, procure entender que a vida prepara situações em que o sonho deve permanecer sonho e que realidade deve ser respeitada como fato concreto. É outra estória. Mas linda também.

Existem gatinhos pretos que vivem em terras distantes, muito longe... Outros já foram para o céu... Por isso, se você prestar atenção, verá que o olhar da gatinha branca não é triste. Ela apenas sonha. E sonhar é bom.

As mães quando colocam os filhos para dormir costumam dizer: "Durma e sonhe com os anjinhos."

Mas poderiam dizer apenas: "Durma e sonhe... Amanhã o sol voltará a brilhar. E todos serão felizes para sempre!!!

Da gatinha branca. Para o gatinho que não aparece nesta página.
© Erony Marcellino

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sentar-se à janela do avião

Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. A ansiedade de voar era enorme.
Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem..

Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante.
As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.
No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.

Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência .. Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Por um desses maravilhosos ‘acasos’ do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível.

O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona.
Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.
Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.

E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara.
Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.
Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?
Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida.

A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e ‘ganhar tempo’, pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Hoje eu vi um menino...

Hoje eu vi um menino sozinho brincando na rua. Não deveria ter mais do que quatro anos. O menino, lindo, estava sujo, imundo, nariz escorrendo, pés descalços, usava roupas maiores do que o seu magro corpo. Hoje eu vi um menino brincando com o lixo jogado sobre a calçada numa rua localizada na zona "nobre", ou "jardins", na Capital de São Paulo.

Hoje senti bem de perto o quanto o abandono pode destruir um pequeno e indefeso ser humano. Perguntei seu nome. Ele respondeu com naturalidade: "Não tenho nome".
Insisti e falei, todos os meninos tem nome. A frágil criaturinha respondeu com voz de quase bebê: "Minha mãe me chama de peste". Engoli em seco e perguntei: "Quer que eu brinque com você?"

Ele levantou os olhos por um instante e respondeu:"Sim". Perguntei o que ele queria que eu fizesse. Pediu que o ajudasse a colocar um cone de papelão dentro do outro
- muitos deles estavam misturados a outras espécies de lixo descartável. Em nenhum momento sorriu. Passei algum tempo com o garotinho fazendo de conta que aquela brincadeira era muito interessante para mim. E era. E foi. E será.

Hoje eu vi um lindo menino abandonado e sujo numa rua que não fica na periferia. Hoje brinquei, com o coração machucado, com um menino que aprendeu a repetir que seu nome é "peste". Quando ele se afastou e foi procurar outra brincadeira, como faz qualquer criança de sua idade, me senti abandonada. Perdi o rumo.

Hoje brinquei na calçada apoiando cones de papelão para valorizar um menino que desconhece seu nome. Parada na calçada pensei, dentro de alguns minutos será noite: onde irá se abrigar o menino sem nome que tem como referência de identidade uma mãe que o chama de "peste"?

Neste bairro chamado "jardins", nesta cidade denominada capital financeira de um país chamado Brasil, conheci um dos muitos brasileirinhos reféns da mais absoluta miséria física e moral. Hoje eu vi um menino condenado pelo crime de ter nascido!

© Erony Marcellino

sábado, 14 de novembro de 2009

Eu posso fazer mais do que isso

A mãe, com apenas 26 anos, parou ao lado do leito de seu filhinho de 6 anos, que estava morrendo de leucemia. Embora o coração dela estive pleno de tristeza e angústia, ela também tinha um forte sentimento de determinação.
Como qualquer outra mãe, ela gostaria que seu filho crescesse e realizasse seus sonhos. Agora, isso não seria mais possível, por causa da leucemia terminal. Mas, mesmo assim, ela ainda queria que o sonho de seu filho se transformasse realidade. Ela tomou a mão de seu filho e perguntou:
- "Billy, você alguma vez já pensou o que você gostaria de ser quando crescer? Você já sonhou o que gostaria de fazer com sua vida?" "Mamãe, eu sempre quis ser um bombeiro quando eu crescer."
A mãe sorriu e disse: - " Vamos ver se podemos transformar esse sonho em realidade."Mais tarde, naquele mesmo dia, ela foi ao corpo de bombeiros local, na cidade de Phoenix, Arizona, onde se encontrou com um bombeiro de enorme coração, chamado Bob. Ela explicou a situação de seu filho, seu último desejo e perguntou se seria possível dar ao seu filhinho de seis anos uma volta no carro dos bombeiros em torno do quarteirão.
O bombeiro Bob disse:
- "Veja, NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Se você estiver com seu filho pronto às sete horas da manhã, na próxima quarta-feira, nós o faremos um bombeiro honorário por todo o dia. Ele poderá vir para o quartel,comer conosco, sair para atender as chamadas de incêndio!""E se você nos der as medidas dele,nós conseguiremos um uniforme verdadeiro para ele, com chapéu, com o emblema de nosso batalhão,um casaco amarelo igual ao que vestimos e botas também. Eles são todos confeccionados aqui mesmo na cidade e conseguiremos eles rapidamente."
Três dias depois, o bombeiro Bob pegou o garoto, vestiu-o em seu uniforme de bombeiro e escoltou-o do leito do hospital até o caminhão dos bombeiros. Billy ficou sentado na parte de trás do caminhão, e foi levado até o quartel central. Ele estava no céu. Ocorreram três chamados naquele dia na cidade e Billy acompanhou todos os três. Em cada chamada ele foi em veículos diferentes: no caminhão tanque, na van dos paramédicos e até no carro especial do chefe do corpo de bombeiros. Ele também foi filmado pelo programa de televisão local.
Tendo seu sonho realizado, todo o amor e atenção que foram dispensadas a ele acabaram por tocar Billy, tão profundamente que ele viveu três meses mais que todos os médicos haviam previsto.Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente e a enfermeira-chefe, que acreditava no conceito de que ninguém deveria morrer sozinho, começou a chamar ao hospital toda a família.
Então, ela lembrou do dia que Billy tinha passado como um bombeiro, e ligou para o chefe e perguntou se seria possível enviar algum bombeiro para o hospital naquele momento de passagem, para ficar com Billy. O chefe dos bombeiros respondeu:
"NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Nós estaremos aí em cinco minutos. E faça-me um favor? Quando você ouvir as sirenes e ver as luzes de nossos carros, avise no sistema de som que não se trata de um incêndio. É apenas o corpo de bombeiros vindo visitar, mais uma vez, um de seus mais distintos integrantes. E você poderia abrir a janela do quarto dele? Obrigado!"
>> Cinco minutos depois, uma van e um caminhão com escada Magirus chegaram no hospital, estenderam a escada até o andar onde estava o garoto e 16 bombeiros subiram pela escada até o quarto de Billy. Com a permissão da mãe, eles o abraçaram e seguraram e falaram para ele o quanto eles o amavam.
Com um sopro final, Billy olhou para o chefe e perguntou:
"Chefe, eu sou mesmo um bombeiro?"
"Billy, você é um dos melhores"- disse o chefe.
Com estas palavras, Billy sorriu e fechou seus olhos pela última vez.


E você, diante do pedido de seus amigos, filhos e parentes, tem respondido "EU POSSO FAZER MAIS QUE ISSO!" Reflita se sua vida tem sido em serviço ao próximo, e tome uma decisão hoje mesmo.

(Está história é verídica).

Se você esta vivo, aliás: Você já viveu hoje?


- Presente de Tatiane

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Crônica para Verônica (fato real)

Verônica nasceu em Angola, que é considerado o pior lugar do mundo para alguém nascer. Verônica tinha olhos enormes, boca de anjinho, nariz de boneca, cabelo enrolado, típico querubim barroco. Verônica tinha dois anos de vida, tinha mãe e tinha pai, era amada e, se tivesse uma chance, se vencesse a fome e a indiferença que varrem o mundo, certamente seria uma moça linda, doce filha das terras angolanas.

Entretanto, não foi assim que se deu ...

Um dia, sem outras razões senão a ira desenfreada e um ódio sem limites, um homem mau entrou na casa de Verônica e atirou na mãe dela. A mulher, que segurava a criança nos braços, teve o corpo trespassado pela bala que, num impacto brutal, acabou saindo pelas costas da menina.... Só quem viu seu olhar incrédulo, seu espanto mudo, a perplexidade daquela garotinha linda, entendeu porque a maldade do mundo se alimenta da desesperança .... Confesso que chorei, e ainda choro, sempre que escrevo ou falo sobre ela... Telespectadora do horror, vi quando a equipe médica colocou seu corpo pequenino sobre a maca metálica, tentando salvá-la a qualquer custo. Ainda pude ouvir seu choro de bebê, sua última expressão de vida ... .

Verônica-menina-anjo-pretinha-linda não resistiu, foi ficar entre as estrelas que enfeitam os céus da África.
Não bastasse a fome que certamente já enfrentava, as doenças e as desgraças que a miséria acarreta, o desrespeito das lutas raciais daquele país, Verônica levou em suas costas as marcas da covardia dos verdadeiros assassinos, aqueles que se escondem em máscaras de omissão, pois há muitas formas de matar, usando os outros ...
Uso Verônica como uma bandeira para falar das crianças de todo o mundo, inclusive das nossas crianças brasileiras, filhas da fome e do esquecimento, sombras perdidas nas esquinas imundas, expostas aos perigos impunemente.

Lancemos um olhar para as noites pontilhadas de estrelas !

- Quantas delas não serão outras Verônicas, anônimas, vítimas da Paz que o homem teima em manchar de lágrimas e sangue ?
- Quantas delas não serão outras vítimas das leis que pregam que cada um é por si, nenhum por todos ?
- Quando é que vamos lembrar que Deus nos fez lanterneiros, esperando apagar as trevas ?

Se a história de Verônica tocou sua alma, sua morte não terá sido em vão.
Pense: Neste exato momento, em muitos lugares do mundo, mais perto do que você pensa, a maldade está se alimentando da vida nossas crianças... E enquanto a maldade come, o egoísmo avança...